segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Genocídios na Palestina e na Ilha Stephen

Havia uma população que habitava a Palestina até os anos 50 e que foi exterminada e teve seu território às margens do Lago Hula destruído para que nele fossem desenvolvidas plantações. A IUCN preparou um relatório sobre o assunto em 1996, mas Israel nunca admitiu a eliminação desta população. Apresento portanto a denúncia em língua portuguesa para que meu leitores possam ter acesso às informações referentes a esta barbárie.

Trata-se da única população conhecida da rã pintada da palestina, Discoglossus nigriventer, um anfíbio que teve seu habitat completamente modificado pela drenagem dos pântanos da região e que nunca mais teve uma única ocorrência registrada, havendo somente dois registros de sua existência antes que fosse extinta pela ação do homem.

O animal era tão raro que não foi possível localizar nenhuma fotografia sua na internet, apenas uma reprodução artística de como teria sido sua aparência:

A perda de uma única espécie é uma catástrofe irrecuperável para a biodiversidade. Dezesseis mil espécies em risco direto de extinção, portanto, deveria ser um dado assustador. Não são apenas as rãs que estão ameaçadas por drenagem de seus habitats, mas milhares de espécies que tem seus habitats destruídos em função da expansão das fronteiras agrícolas, da pecuária, dos núcleos urbanos e da mineração. Os anfíbios estão declinando ao redor de todo o mundo em função dos crescentes índices de poluição e chuvas ácidas. Os corais estão morrendo em função das flutuações de temperatura da água do mar causadas pelo aquecimento global. Os ursos polares estão assistindo seu território literalmente derreter embaixo de suas patas. Os pandas estão sendo dizimados pela caça, e em breve somente existirão em parques protegidos. As baleias nem sequer esta sorte terão, pois são caçadas em águas internacionais onde não se pode evitar seu morticínio. O maçarico de peito vermelho tem cada vez maior dificuldade de completar 16.000km de migração anual em um corredor migratório onde seus alimentos naturais são tornados cada vez mais rarefeitos em função da simplificação da paisagem. Os tigres da China Meridional já não possuem diversidade genética para recuperar sua população, pois os 59 animais existentes são todos descendentes de apenas 6 animais, o que significa que estamos assistindo a derradeira agonia e morte da espécie. Cada uma destas espécies está desaparecendo por um motivo aparentemente distinto, mas na verdade a causa é uma única: a estupidez humana.

A cotovia da Ilha Stephen, Xenicus lyalli, foi extinta por um único gato, de nome Tibbles, levado como animal de estimação do faroleiro David Lyall. Antes da extinção das cotovias, Tibbles levou inúmeras de suas presas mortas para o dono, como é comum que os gatos façam. David Lyall achava graça do que o gato fazia, e talvez movido por tardia curiosidade vendeu nove cadáveres da única espécie passeriforme incapaz de voar ao ornitólogo Barão Walter Rothschild, que identificou a espécie e ouviu horrorizado a história sobre o que estava acontecendo. Uma expedição à Ilha Stephen organizada imediatamente serviu apenas para testemunhar o vento soprando pelo chão do farol as penas dos últimos exemplares recém devorados por Tibbles, que se refestelava nas almofadas do farol totalmente inconsciente da imensa tragédia que acabara de protagonizar.


A economia de rapina, consumidora de recursos que não podem ser recuperados, atua exatamente como Tibbles, enquanto os governos estúpidos e irresponsáveis riem das travessuras econômicas que devastam o ambiente, do mesmo modo que David Lyall o fez. A diferença é que a ilha que hoje ameaçamos tem escala planetária, e desde a Estocolmo 72, a Rio 92 e a Rio + 10 os Barões Walter Rothschild - ecólogos que souberam aprender com a história - estamos tentando convencer o mundo de que existe uma expedição que precisa ser organizada o quanto antes, para que não seja tarde demais: uma expedição de retorno à natureza, ao equilíbrio e à racionalidade.

Um comentário:

Unknown disse...

Oi,Arthur.
Gostei muito do teu texto.Lembra do caso do golfinho chinês de água doce conhecido como baiji?Passou nos telejornais em Agosto. o habitat dele é o rio Yang-Tsé.Ele pode estar extinto por causa da rápida industrialização da China. Foi vítima da pesca ilegal,da poluição e do tráfego pesado no rio.Os Cientistas não conseguiram encontrar nenhum baiji durante uma busca de seis semanas.A última contagem desse mamífero foi em 1997,quando foram encontrados 13 animais.E o Protocolo de Kyoto que os Estados unidos não ratificou alegando que iria prejudicar o crescimento industrial do País.Eles são os maiores poluidores dos gases responsáveis pelo aquecimento global e não estão nem aí para o resto do mundo.Ainda bem que existem pessoas empenhadas em fazer alguma coisa pelo nosso planeta.
Um abraço