Acabo de assistir a um especial da National Geographic sobre segurança automobilística. Eles começaram o documentário desde a criação do automóvel, quando os carros nada mais eram do que uma caixa de metal e madeira sobre rodas, sem nenhum sistema de segurança, e mostraram toda a evolução dos automóveis até hoje. A partir de um certo momento, para o observador atento, o foco do documentário se perdeu e assumiu ares surreais. Mas a maioria das pessoas, a experiência já me demonstrou isso claramente, não é boa observadora.
As primeiras estratégias de desenvolvimento de sistemas de segurança definitivamente faziam sentido: procurava-se aumentar a capacidade do veículo de absorver impactos ao invés de transmiti-los aos passageiros, bem como evitar que os passageiros se chocassem livremente contra o veículo e entre si ou mesmo que fossem lançados longe em caso de impacto. Carrocerias que se entortam para absorver impacto e cintos de segurança com formatos cada vez mais adequados fazem todo o sentido para estas finalidades. A partir da invenção do airbag, entretanto, as coisas começaram a enveredar para um rumo sem sentido.
O airbag foi programado para proteger um homem de 1,75m e 72kg. Quanto mais diferente destas medidas for o ocupante do veículo, pior é a proteção oferecida, e em alguns casos pode chegar a ser pior ser atingido pelo airbag do que pela colisão. Além disso, sua invenção partiu do princípio de que era necessário proteger o corpo humano de impactos cada vez mais agressivos, a cada vez maiores velocidades, sem entretanto questionar qualquer limite razoável de limitação de velocidade. De fato, o programa não fez nenhuma referência à conveniência de reduzir a velocidade máxima que pode ser atingida pelos automóveis.
O verdadeiro absurdo apareceu quando o pressuposto de que os motoristas dirigem cada vez mais rápido quanto mais seguros se encontram foi definitivamente assumido: a conclusão a que chegaram é que, já que os motoristas apresentam cada vez maiores chances de erro toda vez que se sentem mais seguros, o lógico a fazer seria subtrair dos motoristas o controle do veículos, passando-os a computadores!
Esse é o tipo de pensamento que me assusta na espécie humana. A partir de um determinado ponto, perde-se a capacidade de pensar e avaliar uma situação com o mais simples e elementar bom senso, extrapolando tendências que não deveriam ser extrapoladas.
Simplesmente não é razoável que se passe o controle dos carros a computadores ao invés de limitar a velocidade máxima dos automóveis. O controle computadorizado exige a consideração de literalmente centenas de milhares de variáveis em tempo real, coisa que o cérebro humano faz de forma automática e natural, mas o cérebro eletrônico não tem capacidade de fazer a não ser em condições específicas e a custos astronômicos. Além disso, as condições ambientais em que os automóveis se deslocam - de ruas de bairro a auto-estradas - são adequadas a uma determinada escala de velocidades que não deveria ser ultrapassada. Dotar com propulsão ilimitada centenas de milhares de veículos para circular em ambientes extremamente limitados é uma imbecilidade que não pode ser justificada a não ser pela mais absolutamente irresponsável e inconseqüente ganância da indústria automobilística, em conluio com políticos corruptos que permitem que tal lógica de mercado se desenvolva.
Dirigir a 80km/h pode ser razoável em algumas vias urbanas, e é razoável aplicar técnicas de engenharia para tornar esta velocidade segura em ambiente urbano. O mesmo pode ser argumentado em relação a velocidades mais altas, por exemplo o dobro, em auto-estradas especificamente projetadas e construídas para tal. Velocidades maiores deveriam ser simples impossíveis de atingir por veículos de passeio. Não se justifica de modo algum que um automóvel marque 220km/h no velocímetro. A produção de veículos com tais características deveria ser proibida.
As primeiras estratégias de desenvolvimento de sistemas de segurança definitivamente faziam sentido: procurava-se aumentar a capacidade do veículo de absorver impactos ao invés de transmiti-los aos passageiros, bem como evitar que os passageiros se chocassem livremente contra o veículo e entre si ou mesmo que fossem lançados longe em caso de impacto. Carrocerias que se entortam para absorver impacto e cintos de segurança com formatos cada vez mais adequados fazem todo o sentido para estas finalidades. A partir da invenção do airbag, entretanto, as coisas começaram a enveredar para um rumo sem sentido.
O airbag foi programado para proteger um homem de 1,75m e 72kg. Quanto mais diferente destas medidas for o ocupante do veículo, pior é a proteção oferecida, e em alguns casos pode chegar a ser pior ser atingido pelo airbag do que pela colisão. Além disso, sua invenção partiu do princípio de que era necessário proteger o corpo humano de impactos cada vez mais agressivos, a cada vez maiores velocidades, sem entretanto questionar qualquer limite razoável de limitação de velocidade. De fato, o programa não fez nenhuma referência à conveniência de reduzir a velocidade máxima que pode ser atingida pelos automóveis.
O verdadeiro absurdo apareceu quando o pressuposto de que os motoristas dirigem cada vez mais rápido quanto mais seguros se encontram foi definitivamente assumido: a conclusão a que chegaram é que, já que os motoristas apresentam cada vez maiores chances de erro toda vez que se sentem mais seguros, o lógico a fazer seria subtrair dos motoristas o controle do veículos, passando-os a computadores!
Esse é o tipo de pensamento que me assusta na espécie humana. A partir de um determinado ponto, perde-se a capacidade de pensar e avaliar uma situação com o mais simples e elementar bom senso, extrapolando tendências que não deveriam ser extrapoladas.
Simplesmente não é razoável que se passe o controle dos carros a computadores ao invés de limitar a velocidade máxima dos automóveis. O controle computadorizado exige a consideração de literalmente centenas de milhares de variáveis em tempo real, coisa que o cérebro humano faz de forma automática e natural, mas o cérebro eletrônico não tem capacidade de fazer a não ser em condições específicas e a custos astronômicos. Além disso, as condições ambientais em que os automóveis se deslocam - de ruas de bairro a auto-estradas - são adequadas a uma determinada escala de velocidades que não deveria ser ultrapassada. Dotar com propulsão ilimitada centenas de milhares de veículos para circular em ambientes extremamente limitados é uma imbecilidade que não pode ser justificada a não ser pela mais absolutamente irresponsável e inconseqüente ganância da indústria automobilística, em conluio com políticos corruptos que permitem que tal lógica de mercado se desenvolva.
Dirigir a 80km/h pode ser razoável em algumas vias urbanas, e é razoável aplicar técnicas de engenharia para tornar esta velocidade segura em ambiente urbano. O mesmo pode ser argumentado em relação a velocidades mais altas, por exemplo o dobro, em auto-estradas especificamente projetadas e construídas para tal. Velocidades maiores deveriam ser simples impossíveis de atingir por veículos de passeio. Não se justifica de modo algum que um automóvel marque 220km/h no velocímetro. A produção de veículos com tais características deveria ser proibida.

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